Meu olhar tem se debruçado nas relações entre educador e educando, até já havia tocado nesse assunto em uma postagem anterior.
Penso que este assunto deve nos remeter a condutas, princípios, mas nunca a receitas prontas. Em todas as relações o fio que separa o ver do olhar, o ouvir do escutar, o apalpar do tocar é muito tênue. Imagine na escola. Muitas vezes isto não é uma prática muito comum, visto que nós educadores, em nome de uma pretensa perfeição, não “escutamos” nossos educandos, o que nos faz pensar em ética e moral.
Mas o que são essas palavras tão usadas e pouco vividas? Elas provêm de valores que aprendemos no seio das famílias, a escola tem mesmo é que proporcionar essas cristalizações. Mas não quero aqui abrir discussão, apenas suscitar a vontade de usá-las em nossas relações evitando a violência ante ao direito dos outros, pois lançando um olhar sobre as crises profundas que desestruturam a sociedade, a violência tanto física como moral, é presença marcante na vida de alguns.
Fico me perguntando se na escola não estamos fadados a ter a ética apenas como um tema transversal onde um educador leva um texto sobre, digamos, referendo e pronto. Que ficou de positivo naquela ação? As opiniões foram levadas em conta?Será que esta ação da discussão positiva está presente nas próprias relações entre os agentes que constituem a comunidade escolar? Ou é algo descontextualizado “apenas para cumprir programa?” A violência que me refiro aqui é a que viola mesmo, e a violência no ambiente escolar muitas vezes não é explícita, clara, não se vê o constrangimento físico ou uso da força nas dependências da escola.
Existem várias formas da violência estar presente no cotidiano escolar. Ela aparece de forma dissimulada quando os agentes da escola não favorecem a participação ou a igualdade de condições para todos os alunos, dão a entender de modo sutil sobre suas desconfianças em relação às potencialidades dos alunos; usam do conhecimento ou da posição hierárquica para humilhar e até ameaçam com avaliações e punições a fim de obter disciplina, e não buscam um consenso construído e legitimado.
Como afirma Rubem Alves: "Ensinar é uma tarefa mágica, capaz de mudar a cabeça das pessoas, bem diferente de apenas dar aulas" (Nova Escola, 2002, p. 45).
Uma Ética é construída quando o educador se reconhece, no educando, (Ops, nosso amigo Paulo Freire é mestre nisso).
Gente é possível uma escola onde a lição social é o partilhar de um mesmo mundo, com cooperação e ética. E os porquês ficam onde?
Se na escola acontecem situações que violam o valor e a importância das pessoas é porque elas são, em alguma medida, potencializadas pelas relações lá existentes. O discurso e a ação devem caminhar juntos, senão fica essa nomia de discurso pra um lado e ação pra outro.
Toda abordagem educativa deve repugnar o achatamento daquele que pretensiosamente é entendido com o que “sabe menos”. Ela deve pautar-se na subjetividade tridimensional do educando que é: ser respeitado pelo educador como sujeito não apenas de direitos, mas também de cognição e de desejos, só assim o processo educacional será de fato humano.
Um comentário:
importantíssimo seu texto. Devemos sempre perceber que a relação educandor-educando é uma relação de poder tácita, que portanto deve ser permeada com ética senão vira uma relação de dominação. Se os professores percebessem os danso psocilógicos que suas atitudes podem causar nos alunos, acredito que agiriam com mais cuidado e com mais atenção à ética. Parabéns pelo tema, delicado porém necessário.
Roger
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